Não deixe seus problemas definirem quem você é
É comum vermos e convivermos com pessoas que sempre enfrentam os mesmos problemas, seja saúde, amor, financeiro e muitos outros que são resultado da nossa vida moderna.
Ocorre que se você observar com um olhar mais analítico, vai perceber que, boa parte destas pessoas e até mesmo nós, os observadores, estamos volta e meia enfrentando as mesmas dificuldades na nossa vida.
Mas porque isto acontece?
Nosso sistema interno é palco para uma briga entre duas entidades que compõem nossa totalidade. Uma delas é o ego e a outra vamos chamar de self (o Self é algo como nosso ser superior, aquele que tem toda a consciência de tudo).
Quem vemos na cena no nosso dia a dia é o ego, que nada mais é, do que nossa constituição, ou seja, nome, senso de localização, de pertencimento, gostos, desejos, vontades superficiais, planos, etc. o Ego nos faz saber que nós somos nós mesmos. Ele é quem nos diferencia de todo o restante do reino animal e dos demais reinos que, muitas vezes, sequer sabermos da existência.
A missão primordial do ego é nos dar a certeza da nossa existência. Ele não quer saber se estamos felizes ou não, ele quer saber de existir e quanto mais atenção ele recebe, mais se dá conta da própria existência.
Mas porque isto tudo Valeria? Simples, a nossa tendência de sempre estar passando pelos mesmos problemas, dificuldades e desafios, nada mais é do que uma estratégia do ego para nos manter sob os holofotes. Ele faz isto desta maneira porque não é capaz de discernir se nossa atenção recebida é positiva ou negativa, ele só quer atenção.
Existe um fenômeno que eu chamo de "gravidade psíquica" que nos puxa para baixo, para o que é ruim mesmo. Assim como a gravidade física nos puxa para ficarmos fixos no chão, esta gravidade metafísica nos puxa para os confins infernais dos sentimentos e experiências negativas.
Assim como diz a música, "I believ I can Fly" (Eu acredito que posso voar) quando não mantemos esta crença forte em nós e não a alimentamos todos os dias nós tendemos ao caos emocional.
Isto significa dizer que nosso esforço sempre tem que ser para a busca do positivo, pois quando não há um esforço constante na busca de sensações e experiências positivas tendemos, natural e automaticamente, ao negativo.
Triste né?
Não sei, talvez, mas é assim que é! E o primeiro passo para sair desta gravidade psíquica é buscar gerar, criar a partir do nada, um estado de positividade para que possamos começar a subir a escada que nos levará para fora do nosso mar de problemas.
Embora o ego seja parte de nós que tem conhecimento de si mesmo, na maior parte do tempo, ele age de maneira totalmente inconsciente, ou seja, ele está buscando sempre nos levar de volta àquele lugar que chamamos de "zona de conforto", que é um ponto que nos fixa nos mais padrões mais conhecidos possível.
O ego trata de tornar tudo um hábito. Seu objetivo é criar gatilhos e reações rápidas de proteção da nossa identidade. É como se ele dissesse: "sou quem sou e para continuar sendo preciso ter estes padrões de comportamento, ação, reação e, por consequência, resultados".
Seguindo esta linha de raciocínio, enquanto o ser não imputar uma força contrária de maneira consciente o padrão não deixará de se repetir. Isto ocorre porque comportamentos repetidos são transformados em hábitos e passamos a dispará-los automaticamente.
Mas e o Self?
Pois é. Vou explicar de uma maneira bem simples e tomo aqui licença junto aos catedráticos no assunto para dar uma definição própria do que considero Self.
Self é a entidade que vive em nós, que efetivamente sabe quem e o que É. Sabe que é a essência do nosso ser e tem tanta certeza disto que não sente a necessidade de entrar na briga com o Ego (que fica lá se debatendo sozinho como uma aranha preza em sua própria teia), pois não tem um segundo cósmico de dúvida sobre quem verdadeiramente é o dono do pedaço.
Ao contrário do Ego que precisa se autoafirmar para provar para si mesmo a sua existência, o Self fica lá calmamente descansando na certeza de que não vai deixar de existir mesmo quando o ser físico (no caso nós) deixarmos de existir nesta dimensão. Ele sabe que é eterno.
Em resumo, o Self é a versão eterna de nosso ser que cede, tranquilamente, sua expressão ao Ego, o qual, ao longo da vida vai se tornando mais distante do Self na sua busca por expressar quem verdadeiramente é.
Podemos dizer que: O Ego é gerado a partir do Self para que o mesmo possa se expressar, porém ao longo do caminho de encontrar sua voz, afasta-se da sua fonte e perde a referência, começando então a se debater na sua própria imagem deformada da autoexpressão.
Isto resume a história e o porquê de sempre estarmos revivendo os mesmos problemas e desafios. Claro, a maioria de nós está nessa situação e, obviamente não podemos generalizar. Mas quanto "Inconsciente coletivo" que somos, se a maioria dos egos está vivendo uma situação de distanciamento da sua fonte, mesmo quem está conectado acaba por sentir os reflexos na vida coletiva.
Uma parte de nós, do nosso próprio ego, sabe instintivamente que está distante de sua fonte e que algo está errado, mas não entende que precisaria abrir mão desta necessidade de autoafirmação para que possa se encontrar com sua fonte original.
Em contrapartida à inflação do ego, alguns perceberam que ele é a causa do seu próprio sofrimento quando sai tomando decisões por conta própria como se fosse uma criança mimada que quer ser ouvida.
Entretanto ao ter esta percepção, que é totalmente intuitiva, mas que em primeira instancia tem que ser ouvida pelo próprio ego, foi instaurada uma caça às bruxas ao ego incauto. De um momento para outro, o mundo tomou consciência da sua existência e ele se tornou o problema, sendo perseguido arduamente pelos destruidores da fonte de todas as misérias humanas.
O grande engano aqui é que o Ego não deve ser perseguido ou destruído. Isto é uma estratégia desesperada do próprio ego para se manter no comando ao se lançar em uma estrada de autoperseguição. Isto corresponde a dizer que enquanto o ego está achando que ele mesmo é um problema, ou um vilão, a solução está sendo buscada no nível do problema.
A solução que acaba com todo o sofrimento acontece quando o ego encontra a voz do self que estava falando baixinho dentro daquele mar de consciência durante todo o tempo da sua existência.
Ironicamente, quem é eterno não tem pressa, portanto o self fica lá esperando sua vez de falar.
Quando o Ego entende que ele não deve ser destruído, mas será fundido e com esta fusão pode ser até fortalecido, é que todos os problemas terminam. Muitas vezes os problemas terminam sem mesmo deixarem de existir. Eles simplesmente deixam de importar.
Quando os problemas deixam de importar o ser fica automaticamente feliz. Ficando automaticamente feliz deixa de gerar novos problemas e a força dos problemas antigos vai se esvaindo como um desgaste natural que ocorre em tudo que existe, inclusive nos problemas.
A busca da solução deve ocorrer no nível profundo do ser.
